segunda-feira, 26 de abril de 2021

Olga Cristobal e a Morte do Feminismo

 


Artigo publicado na Revista Movimentos Sociais, Olga Cristobal e a Morte do Feminismo:


Olga Cristobal e a Morte do Feminismo

Uma Crítica do Generismo

Autores

  • Marcus Gomes

Palavras-chave: 

Feminismo, Generismo, Subjetivismo, Marxismo, Ideologia, Feminismo da Diferença, Feminismo da Igualdade, Estado, Organismos Internacionais, Cooptação

Resumo

Olga Cristobal apresenta um artigo fundamental sobre a questão do feminismo, especialmente em sua versão contemporânea. A partir de uma análise de discursos, obras, depoimentos, de feministas, mostra o vínculo do generismo ("perspectiva de gênero") e instituições internacionais, aparatos estatais, ONGs, mostrando o processo de cooptação do feminismo contemporâneo. 

Referências

CRISTOBAL, Olga. Fulgor e Morte do Movimento Feminista. Movimentos Sociais. Vol. 05, num. 08, 2020.

GOMES, Marcus. Movimento Feminino e Feminismo. Movimentos Sociais, Goiânia, v.2, n.3, jul./dez. 2017.

JACOBY, Russell. Amnésia Social. Uma Crítica à Psicologia Conformista de Adler e Laing. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.

JENSEN, Karl. Que Fazer? A Resposta Proletária. Goiânia: Edições Redelp, 2020.

VIANA, Nildo. Gênero e Ideologia. In: VIANA, N. (org.). A Questão da Mulher. Opressão, Trabalho, Violência. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2006.

VIANA, Nildo. Hegemonia Burguesa e Renovações Hegemônicas. Curitiba: CRV, 2019.

VIANA, Nildo. Os Movimentos Sociais. Curitiba: Editora Prismas, 2016.

Publicado

2021-04-26

Como Citar

GOMES, M. Olga Cristobal e a Morte do Feminismo: Uma Crítica do Generismo. Movimentos Sociais[S. l.], v. 5, n. 08, 2021. Disponível em: http://redelp.net/revistas/index.php/rms/article/view/738. Acesso em: 26 abr. 2021.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

O Mundo como vontade e como ilusão

 

O Mundo como Vontade e como Ilusão

Autores

  • Marcus Gomes

Palavras-chave: 

Subjetivismo, Paradigma Subjetivista, Regime de Acumulação Integral, Ilusão, Vontade, Mundo

Resumo

O artigo aborda a ideia de que a percepção do mundo é produto da vontade e seu caráter ilusório. Tal concepção, que hoje é uma das expressões do paradigma subjetivista, é analisada criticamente. A nossa crítica se inicia com uma análise da ideologia burguesa do conhecimento e seus limites e avança ao abordar a teoria dos regimes de acumulação e paradigmas hegemônicos, que são a chave explicativa do subjetivismo e sua hegemonia, encerrando com a crítica da ideia do mundo como expressão da vontade e análise da constituição social dessa concepção que gera um mundo ilusório.

Palavras-chave: subjetivismo, paradigma subjetivista, ilusão, vontade, mundo

 

Abstract:

The article addresses the idea that the perception of the world is the product of the will and its illusory character. This conception, which today is one of the expressions of the subjectivist paradigm, is critically analyzed. Our criticism begins with an analysis of the bourgeois ideology of knowledge and its limits and moves forward by addressing the theory of accumulation regimes and hegemonic paradigms, which are the explanatory key to subjectivism and its hegemony, ending with the critique of the idea of the world as expression of the will and analysis of the social constitution of this conception that generates an illusory world.

Keywords: subjectivism, subjectivist paradigm, illusion, will, world.ending with the critique of the idea of the world as expression of the will and analysis of the social constitution of this conception that generates an illusory cultural world.


Keywords: subjectivism, subjectivist paradigm, illusion, will, world

Biografia do Autor

Marcus Gomes

Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB).

Referências

FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 8ª edição, Rio de Janeiro: Graal, 1989.

HESSEN, J. Teoria do Conhecimento. 8ª edição. Coimbra: Armênio Amado, 1987.

MARQUES, Carlos Henrique. Marx e a Questão da Ideologia. In: GOMES, Marcus (org.). Marx e a Questão da Consciência. Goiânia: Edições Enfrentamento, 2020.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã (Feuerbach). 3ª Edição, São Paulo: Ciências Humanas, 1982.

VIANA, Nildo. Cérebro e Ideologia. Uma Crítica do Determinismo Cerebral. Jundiaí: Paco Editorial, 2010.

VIANA, Nildo. Hegemonia Burguesa e Renovações Hegemônicas. Curitiba: CRV, 2019.

VIANA, Nildo. Karl Marx: A Crítica Desapiedada do Existente. Curitiba: Prismas, 2017.

VIANA, Nildo. Marxismo e Cultura. Práxis Comunal, v. 01, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/praxiscomunal/article/view/11948. Acesso em: 31/12/2018a.

VIANA, Nildo. O Capitalismo na Era da Acumulação Integral. São Paulo: Ideias e Letras, 2009.

VIANA, Nildo. O Modo de Pensar Burguês. Episteme Burguesa e Episteme Marxista. Curitiba: CRV, 2018b.

VIANA, Nildo. Regimes de Acumulação e Épocas Literárias. Goiânia: Edições Enfrentamento, 2020.

YOUNG, Jock. A Sociedade Excludente. Exclusão Social, Criminalidade e Diferença na Modernidade Recente. Rio de Janeiro: Revan, 2002.

Publicado

2021-04-20

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Mesa redonda sobre a Comuna de Paris

 

 


Mesa redonda:  
A COMUNA DE PARIS HOJE

Palestrantes: 
Dr. José Santana da Silva/UEG
Dr. Lisandro Braga/UFPR
Dr. Nildo Viana/UFG

Dia 18 de Março, 08:00 - 12:00
Via Youtube 

Link para acesso, inscrições para certificação (opcional), informações:

A Mesa Redonda "A Comuna de Paris Hoje" está conectada ao curso de extensão "Comuna de Paris: 150 anos". 

Porém, ela será aberta e gratuita para todos os interessados. Quem quiser certificado relativo à Mesa Redonda tem duas opções: a) se inscrever no Curso de Extensão com a modalidade que contempla a mesa redonda; b) se inscrever apenas na mesa redonda, no site do curso, em "Inscrições" (escolhendo a opção "Mesa Redonda"). Inscrições no link: https://www.even3.com.br/comunadeparis/


Participe também o curso de extensão "A Comuna de Paris Hoje". Veja programação e outros detalhes no link https://www.even3.com.br/comunadeparis/.



quarta-feira, 15 de julho de 2020

MOVIMENTOS SOCIAIS E MOVIMENTOS POLÍTICOS

MOVIMENTOS SOCIAIS E MOVIMENTOS POLÍTICOS

 

Marcus Gomes*

 

O nosso objetivo, no presente artigo, é diferenciar movimentos sociais e movimentos políticos. O que são movimentos sociais? O que são movimentos políticos? Por qual motivo são diferentes? Ou não seriam diferentes? Inclusive alguns poderiam até perguntar: existem movimentos políticos? São estas questões que vamos buscar responder. Para tanto, vamos iniciar com uma discussão sobre movimentos sociais e depois sobre movimentos políticos para, posteriormente, analisar a relação entre movimentos sociais e movimentos políticos.

Os Movimentos sociais

Os movimentos sociais são fenômenos sociais complexos. Existe uma miríade de definições de movimentos sociais, mas poucos conceitos e, menos ainda, com embasamento teórico-metodológico. Algumas definições de movimentos sociais são tão amplas e imprecisas que não valeria a pena recordá-las. Mas, tendo em vista nossos objetivos, não custa apontar algumas delas e mostrar as suas fragilidades. Tomemos, por exemplo, a definição de Charles Tilly: os movimentos sociais são uma interação contenciosa entre desafiantes e detentores do poder (cf. ALONSO, 2009; VIANA, 2017). Essa definição, já foi observado (VIANA, 2017) é extremamente ampla e imprecisa. Desafiantes do poder é quem, mais exatamente? Todos que estão na oposição em relação um determinado governo? Então, nesse amplo espectro, teríamos o movimento negro, o movimento feminino, o movimento ecológico, o movimento pacifista, entre dezenas de outros e, além deles, o movimento socialista, o movimento comunista, os grupos neonazistas, os separatistas em alguns países, etc. Porém, não ficaria apenas aí. Os partidos de oposição entrariam no rol de “desafiantes do poder”. Não é preciso esclarecer que isso é muito confuso e impreciso, além de demasiadamente amplo.

Uma outra definição é a dos movimentos sociais como “ações sociopolíticas construídas por atores coletivos de diferentes classes sociais”, “numa conjuntura específica de relações de força na sociedade civil” (GOS; PRUDÊNCIO, 2004), que é a definição de Gohn (2002). Aqui se observa os mesmos problemas da definição anterior. A amplitude e imprecisão acaba servindo para abarcar quase tudo: movimento de classes sociais, movimento de grupos sociais, movimentos políticos, partidos políticos, organizações, etc. E, nesse caso, ainda há uma amplitude ainda maior, já que não há a restrição ao caso dos “desafiantes” e “detentores do poder”.

A lista de definições seria extensa e alguns autores já elencaram uma diversidade delas (VIANA, 2016a; GOS; PRUDÊNCIO, 2004). Não seria proveitoso continuar. Por isso precisamos apontar o que nós entendemos por movimentos sociais. A melhor definição de movimentos sociais é a de Karl Jensen. Para este autor, os movimentos sociais podem ser definidos como movimentos de grupos sociais. Ele aprofunda a definição, colocando uma discussão sobre o significado de “movimento”, “grupos sociais”, etc. Porém, tal definição ainda é apenas um esboço, que foi desenvolvido e aprofundado, nos quais novos elementos são acrescentados: um movimento social pressupõe mobilização, senso de pertencimento e objetivos (VIANA, 2016a) e isso remete a uma situação social específica geradora de insatisfação social. Aqui temos um conceito de movimento social que é útil para a análise da realidade social e que não cai na amplitude que esvazia os movimentos sociais de especificidade. Nesse contexto, a diferenciação entre grupo social e movimento social é fundamental, bem como entre movimentos sociais e suas ramificações[1]. A confusão terminológica desaparece com o esclarecimento conceitual que emerge nessa concepção.

O elemento básico e fundamental aqui, para nossa discussão, é entender que os movimentos sociais remetem a grupos sociais. Isso exclui, por conseguinte, classes sociais. O movimento operário, o movimento camponês, entre outros, não são movimentos sociais. São movimentos de classes (e essa expressão só tem sentido para demarcar sua diferenciação com os movimentos sociais). Qual a diferença? Não é nosso objetivo aqui tratar disso pormenorizadamente, mesmo porque já existe produção sobre essa questão (VIANA, 2016a; VIANA, 2016b). Porém, vamos destacar apenas os aspectos fundamentais dessa diferenciação. Os movimentos sociais são de grupos sociais e isso o distingue das classes sociais. Não é possível realizar toda uma discussão sobre grupos sociais, mas tão-somente esclarecer que estes, tal como definido por Jensen (2014) e Viana (VIANA, 2016a; VIANA, 2016b) se distinguem das classes sociais. A unidade dos grupos sociais é fundamentada na corporeidade, situação social ou causa, enquanto que a as classes sociais é originada da divisão social do trabalho, determinada pelo modo de produção dominante. Os grupos sociais podem ou não se relacionar com outros grupos sociais, pode ou não se defrontar com o Estado, etc., mas as classes sociais são relacionais, só existem em relação uma com as outras, através de relações de exploração e dominação, entre outras que são derivadas.

Assim, o movimento feminino é gerado pelo grupo social das mulheres, cujo elemento em comum é a corporeidade, pois o resto é produto social e histórico (subordinação, senso de pertencimento, etc.). O movimento operário é distinto, pois sua base social é o proletariado e este não tem como base a corporeidade e sim a mesma posição na divisão social do trabalho, sendo a classes dos trabalhadores assalariados que produzem mais-valor (o que os distinguem dos trabalhadores assalariados improdutivos, ou seja, daqueles que não produzem mais-valor). As classes sociais existem numa relação marcada pela exploração e dominação, o que significa que existe uma constante luta entre as classes fundamentais (burguesia e proletariado). As demais classes também estão envolvidas nessa luta. Este é o caso daquelas que fazem parte do seleto grupo das classes superiores, o que engloba as classes auxiliares da burguesia (burocracia e intelectualidade), como interesses próprios e recebendo um tratamento diferenciado por parte da classe dominante, com salários mais elevados, poder, etc. e outras classes (resquícios da sociedade anterior, que existem por um tempo determinado, tal como no caso da passagem do feudalismo para o capitalismo, ou então a classe latifundiária, que também vai diminuindo paulatinamente com o desenvolvimento histórico do capitalismo). Por outro lado, existem as classes inferiores, que são diversas e se encontram próximas do proletariado por sua condição de vida e posição inferior na sociedade e pirâmide social, sendo potenciais aliadas da classe operária. Esse é o caso das classes camponesa, subalterna, lumpemproletária, etc.

Porém, esta é a diferença básica, mas existem diversas outras derivadas. Os movimentos sociais podem se enclausurar em suas demandas específicas, se dividir de acordo com as classes sociais e outros elementos em comum, etc., enquanto isso não ocorre nos movimentos de classes. Os movimentos sociais podem existir ou não, ou seja, um grupo social pode realizar mobilização ou não, enquanto que as classes sociais são constrangidas a agir, mesmo que seja de forma cotidiana e sem maior radicalidade, pois isso é um elemento de sua própria existência.

Os Movimentos políticos

Esclarecido o que são movimentos sociais, falta esclarecer o que são movimentos políticos. Podemos dizer que os movimentos políticos são extensões dos movimentos de classe. Eles não são, como se poderia pensar analogamente, ramificações dos movimentos de classes e nem das classes sociais. Um movimento social possui diversas organizações, concepções, tendências, que se unificam em torno do grupo social e das suas causas específicas. Uma classe social pode gerar também, diversas organizações, concepções, tendências. Por exemplo, o movimento operário pode gerar comitês de greve, conselhos de fábrica, associações, etc., bem como pode gerar concepções semiproletárias ou proletárias, entre outros exemplos. Porém, nesse caso são organizações, concepções, etc., que são formadas por proletários. No caso das classes sociais, indivíduos pertencentes a outras classes sociais podem gerar organizações, concepções, etc., voltadas para expressar os interesses de outras classes sociais. É um caso muito comum no que se refere ao proletariado. Indivíduos de outras classes inferiores, mas especialmente setores da intelectualidade e da juventude (de outras classes sociais) geram organizações, concepções que visam expressar os interesses do proletariado. No caso da burguesia isso é mais difícil, mas ocorre com setores da burocracia e da intelectualidade que geram organizações e concepções para defender os interesses da burguesia.

Os movimentos políticos são extensões dos movimentos de classes sociais. Isso pode ser melhor entendido se observamos que sem movimentos de classes, dificilmente surgem movimentos políticos ou então estes são pequenos grupos marginais com pouca presença na sociedade civil. Os movimentos políticos são organizações que expressam os interesses de uma classe social, de forma implícita ou explícita. Isso significa que devemos distinguir entre o fenômeno real e sua autoimagem. Um movimento político pode dizer que expressa os interesses do proletariado, mas isso é apenas o discurso e não a realidade, pois ele pode expressar outra classe social. Etzioni (1976), ao distinguir entre objetivo real (verdadeiro) e objetivo declarado (falso, em grande parte das vezes) das organizações nos ajuda a compreender esse fenômeno. O stalinismo afirma defender os interesses do proletariado e, na antiga União Soviética, explorara e reprimia o proletariado em nome do proletariado. Outro movimento político pode dizer que expressa os interesses de uma determinada classe e o faz efetivamente. Ainda é possível um movimento político que diz não expressar classe nenhuma (e sim “o povo”, “a nação”, etc.) e é expressão de uma delas apesar desse discurso.

Isso quer dizer que todo movimento político se vincula uma classe social, expressa seus interesses, mas não é necessariamente a classe que ele diz defender que ele efetivamente defende. As exigências dos movimentos políticos são variadas, mas podem ser sintetizadas em dois grandes objetivos: a conservação ou a transformação social, sendo que a favor do primeiro estão os movimentos políticos representantes da burguesia ou da burocracia, enquanto que a favor do segundo estão os movimentos políticos representantes do proletariado.

Esses movimentos políticos são partes dos blocos sociais, que são o setor organizado, consciente e ativo que expressam as classes sociais (VIANA, 2015a). Existem três blocos sociais: o dominante (conservador); o progressista (reformista) e o revolucionário (VIANA, 2015a). O bloco conservador se divide em diversos movimentos políticos, como o nacionalista, o liberal, o fascista, o republicano, o nazista (ou neonazista), e estes possuem subdivisões. Podemos denominá-los movimentos políticos conservadores. O bloco progressista também se divide em diversos movimentos políticos, tais como o social-democrata, o bolchevista, o trabalhista, entre outros, com suas subdivisões internas. O bloco revolucionário é composto por movimentos políticos diversos, tal como o anarquista e o marxista. Obviamente que os blocos sociais não são compostos apenas por movimentos políticos, mas também por instituições (especialmente o bloco conservador e o progressista), ideologias sem maior vínculo com movimentos políticos, movimentos sociais, etc.

Nesse momento é necessário distinguir entre movimentos políticos gerais, em sentido amplo, e específicos, em sentido restrito. Em sentido amplo trata-se de diversas organizações que, supostamente, possuem concepções políticas similares. Assim, podemos falar de movimento fascista, movimento anarquista, movimento marxista, movimento leninista. Em sentido restrito, podemos citar o Partido Fascista Italiano, ou qualquer outro partido fascista, ou então o grupo inglês solidarity, que é parte do movimento marxista. Assim, os diversos grupos de comunistas de conselhos que existiram na Holanda e na Alemanha, bem como o MOVAUT – Movimento Autogestionário, no Brasil atual, são movimentos políticos. E todos estes são partes do movimento político marxista, ou seja, de um movimento político em sentido amplo. Assim, o fascismo, a partir do momento que tem várias organizações (e outros elementos que elas devem possuir e especificaremos adiante) é um movimento político em sentido amplo e organizações específicas também são movimento políticos, mas em sentido restrito. O mesmo vale para o anarquismo, o marxismo, o nazismo, o bolchevismo, a social-democracia, etc.

Desta forma, quando falamos movimento político em sentido amplo, apontamos para diversos movimentos políticos em sentido restrito, diversas organizações políticas (grupos, partidos, etc.) e quando tratamos nesse último sentido, estamos nos referindo a organizações específicas. Seria possível perguntar por qual motivo não diferenciamos, como faz Viana (2016a) entre movimentos políticos e ramificações. Por se tratar de um fenômeno diferente. Os movimentos sociais são expressões de grupos sociais e seus objetivos são causas específicas, enquanto que os movimentos políticos são expressões de classes sociais e seus objetivos são causas gerais. Porém, os movimentos políticos podem expressar classes sociais sem ter consciência disso ou atribuir a outros setores da sociedade ou, ainda, dizer que expressa uma determinada classe e expressar outra. Ou seja, o vínculo entre movimentos sociais e grupos sociais é autodeclarado, consciente e direto, euquanto que o vínculo entre movimentos políticos e classes sociais pode ser ou não autodeclarado e consciente e, efetivamente, não é direto, ele não é emanação direta da classe, podendo, inclusive, nem sequer ter contato com ela. Os componentes dos movimentos sociais são indivíduos dos grupos sociais – embora possam ter, como coloca Viana (2016a) alguns indivíduos autóctones – e os dos movimentos políticos podem ser, mas em alguns casos geralmente não são, pois as classes inferiores possuem dificuldade de organização para fora dos locais de trabalho, por exemplo.

Isso tudo quer dizer que o vínculo entre grupos sociais e movimentos sociais é distinto do que existe entre classes sociais e movimentos políticos. E por esse motivo, não é possível considerar os movimentos políticos específicos, ou seja, em sentido restrito, como ramificações dos movimentos políticos gerais, ou seja, em sentido amplo. Além disso, os movimentos sociais não existem apenas através de organizações, mas também de indivíduos – ação coletiva compartilhada, tal como colocou Viana (2016a). Poderíamos elencar mais elementos, mas o fundamental é que a ideia de ramificação pressupõe uma unidade discursiva (marcada por divisões e divergências, mas que se volta para os grupos sociais e causa do movimento) e de vínculo que não existe nos movimentos políticos.

Uma vez que realizamos algumas distinções necessárias, agora devemos desenvolver mais a ideia do que é um movimento político. Um movimento político geral é um conjunto de movimentos políticos específicos. Ambos são expressões das classes sociais. Desta forma, podemos dizer que os movimentos políticos são organizações que expressam os interesses gerais das classes sociais visando conservar ou mudar a sociedade[2]. Porém, embora isso seja fundamental, não abarca a totalidade do fenômeno. É preciso avançar no sentido de explicitar as características dos movimentos políticos específicos.

As características de um movimento político são: a) a organização; b) um programa; c) uma concepção. A organização que constitui um movimento político específico pode ser burocrática (como são os partidos políticos) ou autárquica[3]. Isso gera uma diferenciação entre os movimentos políticos, pois os de organização autárquica possuem lideranças ou não, mas os de organização burocrática possuem, necessariamente, os burocratas, ou seja, dirigentes no interior de uma legitimação interna da direção através dos seus regimentos, documentos, etc. A organização pode ser um pequeno grupo político, tal como um coletivo anarquista de seis pessoas, ou um grande partido político que reúne milhões de filiados. Ela pode agir esporadicamente ou permanentemente. Entre os dois exemplos, existem inúmeros casos intermediários. A organização interna pode se pautada pela democracia ou autocracia, entre diversas diferenças que existem não só entre organizações burocráticas e autárquicas, como também no interior destas[4].

A organização, deve, necessariamente, ter um programa político. O programa político pode ser mais ou menos desenvolvido, dependendo de cada caso concreto. Ele pode ser materializado em manifestos, programas (nome dado a documentos políticos de determinadas organizações), cartas de princípios, regimentos, etc. O programa de alguns movimentos políticos é bem geral, tal como no caso de uma carta de princípios que coloca os preceitos sobre a organização e seus objetivos, ou podem ser bem amplos e estruturados, possuindo vários documentos (manifesto, programa, regimento, etc.). As organizações burocráticas tendem a ter uma grande quantidade de documentos programáticos e as organizações autárquicas tendem a ter poucos documentos programáticos. Um programa político pode conter as bases intelectuais do modo de produção, como, por exemplo, uma teoria, uma ideologia, uma doutrina, etc. Um partido liberal pode se fundamentar em doutrinas ou ideologias liberais. Um coletivo anarquista pode se fundamentar em uma das doutrinas anarquistas (anarcossindicalismo, anarco-coletivismo, anarco-comunismo, anarco-individualismo, etc.).

Ele também pode conter as estratégias e táticas da organização, bem como o seu objetivo final. A estratégia remete ao modo de efetivar a ação visando atingir os seus objetivos, o que inclui a análise dos meios e dos fins, entre outros elementos (VIANA, 2019). Os movimentos políticos realizam estratégias de classe, pois são os setores conscientes, organizados e ativos das classes sociais. A estratégia de classe é “um plano elaborado de forma reflexiva por representantes intelectuais de uma classe social no sentido de apontar um objetivo que articula meios e fins de forma indissolúvel e a partir dos interesses fundamentais da classe social que expressam intelectualmente (VIANA, 2019, p. 12). O objetivo final é algo presente nas organizações, mas a estratégia pode não existir em determinados movimentos políticos, por suas próprias deficiências. O mesmo vale para a tática, que aparece como importante para algumas organizações e sem importância para outras. A tática também é compreendida sob formas distintas. Para o leninismo é uma etapa da estratégia, enquanto que para o marxismo autogestionário é uma “ação possível”, ou seja, uma parte da estratégia para questões imediatas, mas é desvalorado em sua importância para as lutas a serem travadas.

Uma concepção é outro elemento necessário. Afinal, é a partir de uma determinada concepção, mais ou menos desenvolvida (que poder ser uma doutrina, como a anarquista, ou uma teoria, como a marxista, ou uma ideologia, como o leninismo) que se produz o programa. Nesse caso, trata-se de concepções políticas e não qualquer concepção a respeito de qualquer assunto. As concepções políticas são extremamente variadas e com subdivisões e podemos citar o liberalismo, republicanismo, fascismo, nazismo, bolchevismo, social-democracia, trabalhismo, marxismo, anarquismo, entre outras. Também podemos citar as subdivisões, tais como a do liberalismo, que se divide em liberalismo democrático, nacional-liberalismo, neoliberalismo, entre diversos outras, assim como o bolchevismo que se divide em leninismo (ortodoxo), stalinismo, trotskismo, maoísmo, etc. E ainda podemos ver subdivisões na subdivisão: o trotskismo tem várias vertentes e o neoliberalismo também.

A concepção é a base do programa e que o direciona seus demais elementos. Daí sua importância. E, como se trata de uma concepção política, então, ela, geralmente, apresenta uma determinada concepção do que a sociedade (atual) é e do que deveria ser. E, para alguns, o que é deve continuar sendo a mesma coisa ou deve gerar pequenas mudanças pontuais para garantir sua reprodução. Assim, as organizações políticas dos três blocos sociais se diferenciam nesse quesito, pois o bloco conservador visa manter a sociedade tal como está e as mudanças são apenas formais ou pontuais no sentido de garantir a conservação e estabilidade; o bloco progressista aponta para a necessidade do progresso e isso significa apontar mudanças pontuais ou mais gerais ou mesmo grandes reformas, visando aperfeiçoar a sociedade existente ou supostamente “transformá-la”, com alterações em seus elementos ao invés de substituição por outros; o bloco revolucionário já visa a transformação radical e total do conjunto das relações sociais, apesar das ambiguidades de algumas concepções políticas no seu interior.

Quais são esses movimentos políticos? Aqui já apontamos vários exemplos. Poderíamos citar o movimento socialista (social-democrata) como movimento político geral, e a chamada Segunda Internacional[5] buscou ser uma união dos diversos partidos social-democratas, ou o movimento anarquista, com milhares de pequenos grupos espalhados pelo mundo sem maior articulação. Outro exemplo é o movimento liberal, que, por ser composto por pessoas das classes superiores, pode se organizar via partidos políticos (os vários partidos liberais existentes), institutos e outras formas organizacionais.

Os casos acima são movimentos políticos gerais. Como movimentos políticos específicos podemos citar os diversos partidos políticos e grupos políticos existentes. A título de exemplo, podemos citar o PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores – Unificado, e o PSL – Partido Social Liberal, no Brasil atual. Todos os demais partidos seriam outros exemplos. Mas além dos partidos, a UNIPA - União Popular Anarquista, pequeno agrupamento anarquista; o Movaut – Movimento Autogestionário, coletivo marxista autogestionário; o Quebrando os Muros, coletivo “libertário”[6] paranaense; o Front 88, gangue neonazista; são bons exemplos de movimentos políticos específicos.

Movimentos sociais e movimentos políticos

Após essa breve introdução sobre os movimentos sociais e os movimentos políticos, devemos dar o último passo que é a relação entre ambos. Vamos tratar dessa relação no âmbito teórico e no âmbito concreto, político. No primeiro caso, temos que comparar ambos, mostrando as semelhanças e diferenças. No segundo caso, temos que ver que tipo de relação se estabelece concretamente entre estes dois movimentos.

Durante a discussão sobre movimentos sociais e movimentos políticos já apontamos várias diferenças e seria repetitivo retomar. Vamos apenas sintetizar e acrescentar alguns aspectos. Os movimentos sociais são movimentos de grupos sociais e os movimentos políticos são expressões das classes sociais. O primeiro é emanação direta dos grupos sociais e seus componentes são quase sempre destes; o segundo é emanação geralmente indireta das classes sociais. Derivado disso, os movimentos sociais são voltados para objetivos, mobilizações, etc., que expressam os interesses dos grupos sociais, a transformação situacional, e os movimentos políticos são voltados para um posicionamento global diante da sociedade, expressando interesses de classes. Assim, os movimentos sociais apontam para lutas específicas, causas específicas e os movimentos políticos apontam a política, para lutas e causas gerais. Um outro elemento derivado disso é que os movimentos sociais atuam, prioritariamente (mas não unicamente) na sociedade civil e os movimentos políticos priorizam (embora não unicamente) as lutas políticas (que para a maioria se concentra no aparato estatal, tal como os partidos políticos e outras organizações políticas) ou na organização de classe (especialmente as organizações políticas do bloco revolucionário).

Assim, o movimento ecológico se preocupa com a questão ambiental, mas certos anarquistas querem abolir o Estado. O movimento negro quer combater o racismo, mas os autogestionários querem abolir a sociedade que gera o racismo e constituir uma nova sociedade como relações raciais igualitárias e, por conseguinte, sem racismo. Daí é possível perceber essa diferenciação entre o especifismo dos movimentos sociais e o generalismo dos movimentos políticos. Porém, existem proximidades, mas vamos tratar disso quando abordarmos os casos concretos.

Os movimentos sociais são voltados para grupos sociais e causas específicas. O nome “social” aponta para isso. Os movimentos políticos já tratam de algo geral, se posicionam diante da sociedade, expressando os interesses de distintas classes sociais e, por conseguinte, distintos posicionamentos diante dela. O conceito de política aqui é o amplo, ou seja, como toda e qualquer manifestação da luta de classes[7]. O conceito de social já aponta para tudo que é integrado na sociedade ou ela em sua totalidade (VIANA, 2011). O “social” dos movimentos sociais remete a algo específico, os grupos sociais. Assim, um movimento político surge para tematizar a sociedade e se posicionar diante dela, gerando um programa conservador ou transformador. Um movimento social emerge para defender causas específicos de grupos sociais específicos.

Porém, em alguns casos há uma aproximação entre um e outro. Isso é melhor compreendido ao tratarmos da relação concreta, real, existente entre os movimentos sociais e os movimentos políticos. Os movimentos políticos influenciam os movimentos sociais. Historicamente, o movimento feminino emergiu a partir do movimento operário e dos movimentos políticos associados a ele. Por outro lado, uma vez que se consolidam os movimentos sociais, os movimentos políticos continuam influenciando-os. Isso ocorre sob várias formas. É o caso dos partidos políticos, que atuam diretamente ou indiretamente sobre os movimentos sociais (geralmente sob as duas formas simultaneamente). Mas os demais movimentos políticos também afetam os movimentos sociais através da luta cultural, concepções políticas específicas (diante da sociedade ou, mais restritamente, de certos governos).

Os movimentos sociais, por sua vez, também geram impactos nos movimentos políticos. No caso dos partidos políticos, muitas vezes é um impacto frágil, que gera reações genéricas e sem maior importância, tal como o fisiologismo eleitoral. Assim, alguns partidos colocam reivindicações de grupos sociais nos seus programas e propagandas, outros criam até seções internas voltadas para eles, como, por exemplo, para mulheres, negros, etc. No caso de outras organizações políticas, que não são partidos políticos, há variação, dependendo da formação política (maior ou menor desenvolvimento intelectual), maior ou menos ligação a uma tradição, etc. Assim, o anarquismo pode criar um “feminismo classista” devido ao impacto do movimento feminino e sua expansão contemporânea.

Porém, não existe apenas influência, mas também atritos. Alguns movimentos políticos são radicalmente contrários aos movimentos sociais ou a algum deles especificamente. Uma gangue neonazista, por exemplo, nada terá a ver com movimento feminino ou movimento negro e sua posição é de condenação e violência em relação a tais movimentos sociais. A recíproca tende a ser verdadeira, embora ausente por não ser uma preocupação, o que pode mudar se houver ascensão das organizações políticas neonazistas. Alguns setores dos movimentos sociais, por sua vez, são totalmente contrários a alguns movimentos políticos, tal como a resistência que muitos possuem em relação ao marxismo (em parte explicado pelo conservadorismo de alguns deles, em parte pela crítica marxista dos limites do especifismo, gerando até mesmo ódio e atitudes irracionais contra essa concepção política e suas organizações e militantes).

A relação entre movimentos políticos e movimentos sociais pode ser vista também do ângulo histórico. Os movimentos políticos, historicamente, sempre tiveram maior impacto sobre os movimentos sociais. Porém, a partir dos anos 1960, os movimentos sociais ganharam mais força e presença, sem, no entanto, alterar essa relação. E a partir da última fase do capitalismo, no regime de acumulação integral (VIANA, 2009; BRAGA, 2018; ORIO, 2014; ALMEIDA, 2014) que, com a nova política cultural do capitalismo, as políticas segmentares do neoliberalismo, a hegemonia do paradigma subjetivista e da ideologia pós-estruturalista, entre outras determinações, os movimentos sociais ganharam mais força e influência sobre os movimentos políticos e estes perderam força e influência. No entanto, ainda existe influência recíproca, bem como atritos e divergências sob diversas formas e por diversos motivos.

Entre os movimentos políticos, é o marxismo que tem maior capacidade analítica e força crítica diante dos movimentos sociais. E a razão disso se encontra na sua análise totalizante da sociedade e desenvolvimento teórico. Por isso não faz apologia dos movimentos sociais e mostra suas fragilidades e limites. Ao mesmo tempo, não recusa as causas legítimas (pois existem as ilegítimas) dos movimentos sociais, tal como as reivindicações contra o sexismo, violência contra as mulheres, racismo, destruição ambiental, etc. Porém, insere tais reivindicações no âmbito do seu processo de produção e assim relaciona os grupos sociais e o capitalismo, bem como suas reivindicações. Assim, a concepção ilusória e apologética dos grupos sociais e dos seus ativistas, é substituída pela percepção real e verdadeira de que são seres sociais determinados e perpassados pelos problemas dessa sociedade como todos os demais indivíduos, inclusive ligados a interesses que os vinculam a ela. E isso, por sua vez, gera uma reação inamistosa por parte de setores e ativistas dos movimentos sociais, que querem manter uma percepção ilusória dos grupos sociais e movimentos sociais, o que é coincide com seus interesses. Não é difícil perceber que a força dos movimentos sociais ao se tornar proeminente gera um processo de despolitização ao se fundar no especifismo e isso é percebido pelo marxismo (TARDIEU, 2014).

Porém, essa relação entre movimentos políticos e movimentos sociais é complexa e possui outros elementos. Não poderemos abordar todos, mas resta destacar a proximidade entre determinados setores dos movimentos sociais e determinados movimentos políticos. As tendências revolucionárias no interior dos movimentos sociais reformistas, por exemplo, vão além do especifismo e articulam a luta pela transformação situacional do grupo social com a luta pela transformação social radical e total do movimento operário. Assim, tais tendências revolucionárias ficam na fronteira entre ser uma ramificação de um movimento social e ser um movimento político, mas ficam no primeiro caso por causa do vínculo e lutas específicas do grupo social de base. Por outro lado, alguns setores dos movimentos políticos se aproximam dos movimentos sociais, seja por oportunismo (eleitoral, interesse partidário, etc.), seja por união do projeto geral de sociedade e questões específicas.

Essa breve síntese da relação entre movimentos políticos e movimentos sociais precisa ser aprofundada, mas consideramos que o primeiro passo foi dado e agora é preciso desenvolver e trazer mais elementos para a reflexão. É preciso desenvolver estudos históricos sobre essas relações, entre outros aspectos.

Considerações finais

O nosso objetivo foi apontar para as diferenças e especificidades de movimentos políticos e movimentos sociais e julgamos que, de forma breve e introdutória, conseguimos atingi-lo. Os movimentos sociais são emanações dos grupos sociais e os movimentos políticos das classes sociais. Por conseguinte, os movimentos sociais tratam de questões específicas e os movimentos políticos de questões gerais. Os movimentos sociais lutam pelos interesses, necessidades, reivindicações de grupos sociais. Os movimentos políticos já expressam interesses das classes sociais. Isso gera relações marcadas por complementos e conflitos, entre outros aspectos. As posições mais exageradas dos movimentos sociais caem no especifismo e, por isso promove afastamento, críticas, etc. Especialmente nas suas expressões dogmáticas e extremistas. Por outro lado, os movimentos políticos reacionários são não apenas contra os movimentos sociais, mas até mesmo contra os grupos sociais de base dos mesmos. Nesse contexto, o presente artigo buscou contribuir para compreender, complementarmente, estas relações.

Referências

 

ALMEIDA, F. M. Reestruturação produtiva e trabalho: O Mito da flexibilização. Estácio de Sá Ciências Humanas, v. 02, n. 2, 2014.

 

ALONSO, Angela. As Teorias dos Movimentos Sociais: Um balanço do debate. Lua Nova, num. 76, 2009.

 

BRAGA, Lisandro. A Teoria do Regime de Acumulação Integral. In: MARQUES, Edmilson e MAIA, Lucas (orgs.). Nildo Viana: Dialética e Contemporaneidade. Lisboa: Chiado, 2018.

 

DUVERGER, Maurice. Os Partidos Políticos. Brasília: Edunb, 1982.

 

ETZIONI, Amitai. As Organizações Modernas. 5ª edição, São Paulo: Pioneira, 1976.

 

GOHN, Maria da Glória. Teorias dos Movimentos Sociais. Paradigmas Clássicos e Contemporâneos. 3ª edição, São Paulo: Edições Loyola, 2002.

 

GOSS, Karine P. e PRUDÊNCIO, Kelly. O conceito de movimentos sociais revisitado. Em Tese. Vol. 2, nº 1 (2), janeiro-julho 2004, p. 75-91. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/emtese/article/view/13624/12489 Acessado em: 06/06/2017.

 

JENSEN, Karl. Teses Sobre os Movimentos Sociais. Revista Marxismo e Autogestão, Vol. 01, num. 01, jan./jun. 2014. Disponível em: http://redelp.net/revistas/index.php/rma/article/view/9jensen1/63 Acessado em: 15 de julho de 2014.

 

MICHELS, Robert. Sociologia dos Partidos Políticos. Brasília: UnB, 1981.

 

MILIBAND, Ralph. Marxismo e Política. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

 

ORIO, Mateus. O Desenvolvimento Capitalista na Sucessão de Regimes de Acumulação. Ciências Humanas. Revista da Faculdade Estácio de Sá. Goiânia. Vol. 02, nº 09, Jan. 2014.

 

TARDIEU, Serge. Crítica ao Especifismo. Revista Marxismo e Autogestão, vol. 01, num. 02, jul./dez. de 2014.

 

VIANA, Nildo. A Questão da Organização Revolucionária. Rio de Janeiro: Rizoma, 2014b.

 

VIANA, Nildo. As Abordagens Sociológicas dos Movimentos Sociais. Movimentos Sociais, Goiânia, v.1, n. 2, 2017. Disponível em: https://redelp.net/revistas/index.php/rms/article/view/02vianams03/pdf_15 Acesso em: 31/12/2017a.

 

VIANA, Nildo. Blocos Sociais e Estratégia de Classe. Enfrentamento. Goiânia: ano 14, N. 24. 2019. I

 

VIANA, Nildo. Blocos Sociais e Luta de Classes. Espaço Livre, Vol. 10, n.º 10, jul./dez. 2015. Disponível em: http://informecritica.blogspot.com/2016/03/blocos-sociais-e-luta-de-classes.html Acesso: 31/12/2015a.

 

VIANA, Nildo. Estado, Democracia e Cidadania. A Dinâmica da Política Institucional no Capitalismo. 2ª edição, Rio de Janeiro: Rizoma, 2015b.

 

VIANA, Nildo. Introdução à Sociologia. 2ª edição, Belo Horizonte: Autêntica, 2011.

 

VIANA, Nildo. Movimentos Sociais e Movimentos de Classes: Semelhanças e Diferenças. Revista Espaço Livre, v. 11, n. 22, 2016b.

 

VIANA, Nildo. O Capitalismo na Era da Acumulação Integral. São Paulo: Ideias e Letras, 2009.

 

VIANA, Nildo. O que São Partidos Políticos. Brasília: Kíron, 2014a.

 

VIANA, Nildo. Organizações: Reprodução ou Transformação Social. Revista Espaço Livre. Vol. 11, num. 21, 2016. Disponível em: http://redelp.net/revistas/index.php/rel/article/view/440/391 acessado em: 31/12/2016d.

 

VIANA, Nildo. Os Movimentos Sociais. Curitiba: Prismas, 2016a.

 

VIANA, Nildo. Os Objetivos dos Movimentos Sociais. Movimentos Sociais. Vol. 01, Num. 01, jul./dez. de 2016c.

 

WEBER, Max. Parlamento e Governo na Alemanha Reordenada. Crítica Política do Funcionalismo e da Natureza dos Partidos. Petrópolis: Vozes, 1993.

 



* Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB).

[1] Sinteticamente, podemos dizer que o grupo social é a base de um movimento social, mas este é o “grupo em fusão”, ou seja, o seu setor ativista. Os indivíduos do grupo que são indiferentes ao movimento social ou contrário a ele (o que não é incomum), não são parte dele. As ramificações são, por sua vez, organizações, concepções (doutrinas, ideologias, etc.) que são partes dos movimentos sociais. Por exemplo, o movimento ecológico é um movimento social que contém inúmeras ramificações, desde associações ecologistas de algumas cidades, até amplas organizações nacionais, bem como possuem diversas concepções, tais como ecologistas fundamentalistas, ecologistas realistas, ecocapitalistas e ecossocialistas (VIANA; LELES, 2018). Outro exemplo é o movimento feminino, com inúmeras organizações, concepções, etc., e não são, cada organização, tendência, etc., um movimento feminino e sim uma ramificação deste movimento social.

[2] Isso se assemelha a algumas definições de movimentos sociais, com exceção da referência às classes sociais e organizações. A ideia de que os movimentos sociais visam conservar ou transformar a sociedade (ou, nas concepções mais problemáticas, que afirmam que querem a mudança social) é ilusória, obviamente. O que eles buscam é a transformação situacional e não da sociedade (VIANA, 2016c). Mas no caso dos movimentos políticos é verdadeiro, pois isso está explícito pelas organizações políticas. Outro adendo importante é a percepção que existem várias formas sob as quais se pode querer conservar a sociedade, bem como transformá-la. É possível querer conservar através do “retorno à tradição”, através da manutenção de tudo exatamente como está, através de reformas ou concessões, entre outras possibilidades, o que gera as diversas correntes no interior do conservadorismo. O objetivo da transformação social pode, também, se dividir entre as falsas concepções a este respeito, e as que realmente almejam uma revolução e estas últimas podem se diferenciar por questões secundárias, como estratégia, base teórica ou doutrinal, etc.

[3] Sobre partidos políticos e burocracia, cf. Michels (1981); Duverger (1982); Weber (1993), Viana (2014). A distinção entre organização burocrática e organização autárquica pode ser vista em Viana (2016d).

[4] A este respeito existem três obras que ajudam a entender melhor as organizações políticas: Viana, 2014a; Viana, 2016d; Viana, 2014b).

[5] A Primeira Internacional, AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores) foi constituída no século 19 e teve como principal articulador Karl Marx e era composta por trabalhadores e intelectuais que se identificavam com o proletariado. Com o seu fim, os partidos social-democratas, posteriormente, retomaram a ideia de uma “associação internacional”, que, no entanto, se tornou “partidária”, ou seja, aglutina partidos políticos social-democratas (e, depois, surgiu a “Terceira Internacional”, bolchevista e que aglutinava os partidos comunistas e, ainda, outras “internacionais”, seguindo a mesma lógica de unir apenas ativistas políticos de grupos ou partidos).

[6] O termo “libertário” é ambíguo e às vezes é tido como sinônimo de “anarquismo” e, em outros casos, como algo positivo e indefinido, bem como é associado ao liberalismo. Isso serve para perceber, por exemplo, que o uso do termo por um grupo político sem maior definição e explicitação do seu significado aponta para os limites da concepção do coletivo.

[7] Tal como se vê em Miliband (1979) e especialmente em Viana (2015b), no qual faz uma diferenciação entre os significados do termo.


Olga Cristobal e a Morte do Feminismo

  Artigo publicado na Revista Movimentos Sociais, Olga Cristobal e a Morte do Feminismo: Olga Cristobal e a Morte do Feminismo Uma Crítica d...